O cenário do açúcar para 2026/27 tem uma manchete fácil e uma leitura difícil. A manchete é a oferta: a moagem de cana no Centro-Sul deve ficar na casa dos 625 a 635 milhões de toneladas, com produção brasileira de açúcar estimada entre 40 e 44 milhões de toneladas, acima das cerca de 39 milhões da temporada anterior. Some a isso a recuperação parcial de Índia, Tailândia e México e o resultado é um mercado global folgado, com pressão estrutural sobre os preços.
A leitura difícil vem logo depois. Preço internacional em baixa não se traduz automaticamente em boa condição de compra para uma indústria de porte médio. E entender por que isso acontece é o que separa quem compra bem de quem apenas reclama do fornecedor.
O mix é a variável que quase ninguém acompanha
Usinas não produzem açúcar por vocação, produzem pelo que remunera melhor. Na safra 2026/27, a expectativa de mercado é de recuo da parcela do ATR destinada ao açúcar, saindo de patamares próximos de 51% para algo perto de 48%, com o restante indo para o etanol. A mistura obrigatória de 30% de etanol anidro na gasolina e o avanço do etanol de milho reforçam esse deslocamento.
Na prática, isso cria um piso para o preço do açúcar. Analistas trabalham com referência próxima de 13,5 centavos de dólar por libra considerando o hidratado ao redor de R$ 2,20 por litro. Abaixo disso, a usina simplesmente redireciona produção. Ou seja, a queda tem limite, e apostar em “esperar cair mais” costuma custar caro.
O gap de atendimento continua aberto
Aqui está o ponto que interessa diretamente à pequena e média indústria de alimentos, bebidas, panificação e nutrição. As usinas são orientadas à escala e priorizam contratos de grande volume, que diluem custo comercial e logístico. Distribuidores tradicionais atendem bem o varejo e o volume pequeno.
No meio, sobra um perfil de comprador mal atendido: a indústria que consome de 100 a 300 toneladas por mês. Volume relevante, recorrente, financeiramente sólido, mas insuficiente para negociar contrato direto competitivo com a origem. Esse comprador acaba pagando prêmio, ficando exposto a rupturas e sem previsibilidade de custo, mesmo em ano de safra recorde.
Como estruturar a compra em um ano de oferta abundante
Trave parte do volume e deixe parte flutuando. Em mercado com viés de baixa e piso técnico definido, travar 100% no início do ciclo é tão arriscado quanto não travar nada. A combinação entre contrato de fornecimento e compras pontuais protege o custo médio.
Negocie continuidade, não só preço por saca. Para uma linha de produção, uma ruptura de abastecimento custa mais do que uma diferença de dois ou três por cento no preço. Contrato com volume mensal definido e origem mapeada vale mais do que a melhor cotação avulsa do mês.
Monitore os gatilhos de volatilidade. Clima no Centro-Sul, comportamento do petróleo e do etanol, câmbio e prêmios de risco geopolítico movimentam o mercado mesmo em cenário de superávit. Um viés baixista estrutural convive muito bem com solavancos de curto prazo.
Mapeie logística antes de fechar preço. Frete, prazo de carregamento e disponibilidade em armazém definem o custo real na porta da fábrica. Preço FOB competitivo com logística ruim vira custo alto.
Onde a BT Agro entra
A BT Agro atua como corretora, não como vendedora direta. Isso significa que a nossa função é justamente ocupar esse espaço mal atendido do mercado, conectando a indústria de volume médio a origens e condições comerciais que normalmente só estariam disponíveis para grandes contratos.
Nossa rede de mais de 50 franqueados regionais conhece a dinâmica local de cada praça, acompanha o cliente ao longo do tempo, antecipa demanda e orienta sobre o melhor momento de compra. Todas as demandas de compra e venda circulam em um CRM único, o que dá velocidade de cotação e organização de informação para todos os envolvidos na operação.