Durante muitos anos, a indústria que usa óleo vegetal como matéria-prima podia tratar a cotação da commodity como um número que aparecia na planilha uma vez por mês. Esse tempo acabou. Desde agosto de 2025 o Brasil opera com o diesel B15, ou seja, 15% de biodiesel na mistura obrigatória, e o setor já discute a passagem para o B16 dentro do cronograma da Lei do Combustível do Futuro. Cada ponto percentual nessa conta significa milhões de litros a mais de biodiesel e, na prática brasileira, significa mais óleo de soja saindo do mercado alimentício para o mercado energético.

Os números explicam o tamanho do movimento. O consumo de biodiesel no país passou de 9,7 milhões de metros cúbicos em 2025, e o óleo de soja respondeu por cerca de 73% de toda a matéria-prima utilizada, com mais de 6,8 milhões de toneladas consumidas apenas para produzir combustível. Consultorias de mercado projetam que essa participação siga próxima dos 70% ao longo de 2026.

O comprador industrial virou concorrente do setor de combustíveis

Essa é a leitura que muita indústria de pequeno e médio porte ainda não fez. Quando uma usina de biodiesel fecha contrato de fornecimento, ela não está comprando “o excedente” do mercado, ela está disputando o mesmo óleo degomado ou refinado que abastece fábricas de alimentos, produtores de ração, formuladores químicos e indústrias de higiene e limpeza.

O resultado prático aparece de três formas:

  1. Menos previsibilidade de preço. A cotação passa a responder a decisões regulatórias e ao preço do diesel, não apenas à safra.
  2. Janelas de disponibilidade mais curtas. Volumes que antes ficavam disponíveis por semanas passam a ser fechados em dias.
  3. Prioridade de atendimento. Fornecedores tendem a priorizar contratos grandes e recorrentes, o que empurra o comprador de volume médio para o fim da fila.

Vale registrar o outro lado da equação: a safra brasileira de soja segue robusta, com estimativas que superam 176 milhões de toneladas, e o esmagamento em alta amplia a oferta de óleo. O ponto é que oferta abundante não elimina disputa por lote, por especificação e por prazo de entrega.

O que fazer agora, na prática

Deixe de comprar apenas no spot. Quem compra 100% no mercado à vista transfere para o próprio caixa toda a volatilidade do setor de combustíveis. Contratos escalonados, com volumes parciais travados e o restante em aberto, reduzem o impacto de um choque de preço sem engessar o capital de giro.

Amplie a base de fornecedores homologados. Depender de uma única origem é o maior risco operacional de quem usa óleo vegetal como matéria-prima crítica. Ter fornecedores alternativos já homologados, com especificação técnica validada, é o que permite reagir em 48 horas quando o preço se move.

Considere alternativas técnicas dentro do portfólio. Dependendo da aplicação, óleo de palma, palmiste, algodão, girassol ou babaçu podem atender à mesma função tecnológica com estrutura de custo diferente. Essa avaliação precisa ser feita com antecedência, não no meio de uma ruptura de fornecimento.

Vincule o calendário de compras ao calendário do setor. Decisões do CNPE, anúncios de mistura e o ritmo de contratação bimestral do biodiesel são informações públicas e antecipam movimento de preço. Quem acompanha compra melhor.

Onde a BT Agro entra

A BT Agro atua como corretora especializada em óleos vegetais e commodities agrícolas, com portfólio que inclui óleo de soja (bruto, degomado, refinado e hidrogenado), palma, palmiste, algodão, girassol, babaçu, mamona e amendoim. Como não vendemos estoque próprio, não existe interesse em empurrar um produto específico, o foco está em encontrar a origem, o preço e a logística que fazem sentido para cada operação.

Com mais de 50 franqueados regionais e relacionamento direto com os principais players do agronegócio, conseguimos cotar rápido, comparar origens e sustentar a continuidade do abastecimento em um mercado que ficou bem menos previsível.